Mísseis na Ásia: Coreias e EUA testam força com exercícios militares

A Coreia do Sul e os Estados Unidos realizaram exercícios militares conjuntos após um míssil da Coreia do Norte ter sobrevoado uma região do Japão nesta terça-feira, dando continuidade a diversas demonstrações militares por países da região — incluindo exercícios antissubmarinos conjuntos na sexta-feira pelas marinhas da Coreia do Sul, Estados Unidos e Japão, e outros lançamentos da Coreia do Norte. O míssil balístico norte-coreano de hoje foi o primeiro que atravessou um território japonês nos últimos cinco anos, o que provocou um alerta do governo para os moradores se protegerem em abrigos, e uma suspensão temporária das operações de trens no norte do Japão.

Em resposta, segundo o canal de notícias sul-coreano KBS, quatro fatos F-15K da Força Aérea da Coreia do Sul e quatro F-15 dos Estados Unidos voaram em diferentes formações para testes de precisão com lançamento de bombas. “Os testes demonstraram a capacidade de resposta da Coreia do Sul e dos EUA a qualquer ameaça da Coreia do Norte”, escreveu o jornal com base em um comunicado dos militares sul-coreanos. O Ministério da Defesa da Coreia do Sul divulgou fotos dos jatos durante os exercícios.

Analistas disseram à Reuters ver o aumento do ritmo de testes como um esforço para construir armas operacionais, bem como para tirar proveito de um mundo distraído pelo conflito na Ucrânia e outras crises, tornando os testes “normalizados”.

As Coreias rivais estão em uma corrida armamentista regional que viu um grande aumento de armas e gastos militares. Além disso, autoridades sul-coreanas dizem que a Coreia do Norte completou os preparativos para o que seria seu sétimo teste nuclear desde 2006 e o primeiro desde 2017. A Coreia do Sul buscou recentemente um acordo de não-proliferação nuclear com o país do norte, uma oferta de ajuda econômica feita por Seul em troca da desnuclearização do país comunista — que foi rejeitada pelo governo de Kim Jong-Un.

No início de setembro, a Coreia do Norte aprovou uma lei que consagra oficialmente suas políticas de armas nucleares, uma medida que, segundo Kim Jong Un, torna seu status nuclear “irreversível” e impede qualquer negociação sobre a desnuclearização. A presença dos EUA também suscita testes de demonstração de força militar. No dia 23 de setembro, um porta-aviões dos Estados Unidos atracou na Coreia do Sul pela primeira vez em quase cinco anos. O USS Ronald Reagan é classificado no site da Marinha norte-americana como “uma força pronta para o combate”.

Em agosto, o USS Ronald Reagan transitou pelo mar da China Meridional e chegou ao mar das Filipinas, a leste de Taiwan e das Filipinas e ao sul do Japão. O posicionamento ocorreu em meio à visita da presidente da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, Nancy Pelosi, a Taiwan. Quinto lançamento de míssil em duas semanas. Na semana passada, a Coreia do Norte já havia disparado outros quatro mísseis balísticos. Dois deles foram lançados horas antes da Coreia do Sul realizar um grande show militar, exibindo caças furtivos e seus próprios mísseis.

A vice-presidente dos EUA, Kamala Harris, estava na região um dia antes do terceiro lançamento e encontrou-se com o presidente sul-coreano Yoon Suk-yeol. Ela visitou a zona desmilitarizada na fronteira com o Norte como parte de sua viagem para reforçar sua aliança de segurança com Seul. “Eles condenaram a retórica nuclear provocativa da RPDC (República Popular Democrática da Coreia) e os lançamentos de mísseis balísticos”, disse um comunicado da Casa Branca. “Eles discutiram nossa resposta a potenciais provocações futuras, inclusive por meio da cooperação trilateral com o Japão”.

Harris condenou os lançamentos balísticos anteriores a sua visita, e chamou a Coreia do Norte de “ditadura brutal”: “No Norte, vemos uma ditadura brutal, violações desenfreadas dos direitos humanos e um programa de armas ilegais que ameaça a paz e a estabilidade”, afirmou. “Os Estados Unidos e o mundo buscam uma península coreana estável e pacífica, onde a RPDC não seja mais uma ameaça”.

Moradores de região japonesa foram alertados para evacuação por perigo de míssil. O lançamento de hoje foi de um míssil balístico de alcance intermediário (IRBM) lançado da província de Jagang, na Coreia do Norte. Esta província foi utilizada para lançar vários testes recentes, incluindo vários mísseis que os norte-coreanos alegaram ser “hipersônicos”. O governo japonês alertou os cidadãos para se protegerem, pois o míssil parecia ter sobrevoado e passado por seu território antes de cair no Oceano Pacífico. O Japão informou que não usou nenhuma medida de defesa para destruir o míssil.

“A série de ações da Coreia do Norte, incluindo seus repetidos lançamentos de mísseis balísticos, ameaça a paz e a segurança do Japão, da região e da comunidade internacional, e representa um sério desafio para toda a comunidade internacional, incluindo o Japão”, disse o porta-voz do governo japonês, Hirokazu Matsuno, em entrevista coletiva. Falando a repórteres pouco depois, o primeiro-ministro Fumio Kishida chamou as ações da Coreia do Norte de “bárbaras” e afirmou que o governo continuaria a coletar e analisar informações.

EUA e Europa condenam ação mais recente da Coreia do Norte. O Comando dos Estados Unidos para a região Indo-Pacífico condenou o lançamento norte-coreano e reafirmou seu compromisso com a defesa do Japão e da Coreia do Sul. O conselheiro americano de Segurança Nacional, Jack Sullivan, conversou com autoridades sul-coreanas e japonesas para elaborar uma “resposta internacional apropriada e robusta”, anunciou a Casa Branca antes dos testes conduzidos com os sul-coreanos.

Já o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, chamou o disparo de “agressão injustificável” e afirmou que a União Europeia “é solidária ao Japão e à Coreia do Sul”. Para ele, essa é uma “tentativa deliberada” de abalar a segurança na região.

 

Por Uol Notícias

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